Tuesday, November 18, 2008

Expresso Actual, 15 Nov 2008. Pages 24 - 25




Expresso Actual
15 Nov 2008

Saturday, November 08, 2008

ENTREVISTA MARCO BARROSO (por António Branco)



Marco Barroso é pianista, compositor e figura central do Lisbon Underground Music Ensemble, colectivo que tem sido alvo de um crescente reconhecimento pela forma como mistura o jazz, o rock, os ritmos latinos e outras sonoridades. O Improvisos Ao Sul quis conhecer melhor o homem do LUME.


Improvisos Ao Sul: Quer contar-nos um pouco da história do LUME (origens, momentos importantes…)?
Marco Barroso: O LUME surgiu há cerca de um ano e meio como o resultado da minha vontade de levar a cabo um projecto onde pudesse participar activamente não só como compositor mas também como intérprete, à qual se juntou o interesse do Eduardo Lála (que também toca no grupo) na sua produção e promoção. A ideia de uma formação alargada de sopros surgiu naturalmente dado o gosto que tenho pela sonoridade e expressividade dos sopros e por se tratar de um veículo suficientemente elástico e expressivo onde pudesse incorporar eficazmente as minhas ideias. Por outro lado, pareceu-me que podia acrescentar algo ao panorama actual das orquestras ligadas ao jazz no sentido de uma orientação simultaneamente mais ecléctica e autoral como fazem por exemplo uma Carla Bley, Viena Art Orchestra ou mais recentemente Flat Earth Society. Existem, hoje em Portugal, projectos interessantes como a Big Band de Matosinhos, VGO, Tora Tora, Big Band do HCP mas que seguem outros caminhos estéticos. Assim, começámos a tocar em Julho de 2006, no Maxime. Foi um concerto interessante, onde nos apercebemos da boa receptividade do público e de que o projecto tinha pernas para andar. Desde então, temos feito alguns concertos em diversas salas que nos têm permitido evoluir e dar a conhecer a nossa música como o teatro S.Luiz, Académico Gil Vicente, Cine-teatro de Sesimbra, Lux, ZDB, Santiago Alquimista, etc. Estamos actualmente a preparar a gravação do disco.

O repertório do LUME – todo composto por si – é uma amálgama que vai do jazz ao rock, passando pela música erudita contemporânea, entre outras referências que foi assimilado ao longo do seu trajecto musical. É difícil fazer essa articulação, de modo consequente, sem perder a unidade da formação?É menos difícil quando se trabalha com músicos versáteis, como é o caso. Mas tudo passa por conhece-los bem e saber o que lhes é adequado e se lhes pode exigir. Seja como for, esta música não pretende soar concretamente a rock, jazz, música contemporânea ou seja lá o que for (ainda que esses índices estejam lá).

O LUME – formação constituída por 15 músicos – inclui nas suas fileiras nomes importantes do jazz e da música erudita nacionais. Como é liderar todas essas pessoas, de diferentes backgrounds e diferentes orientações estilísticas?Aprendemos todos uns com os outros. É um processo de conhecimento mútuo que se torna mais enriquecedor pelo facto de termos proveniências diversas. Há um espírito comunitário, onde toda a gente intervém e dá a sua opinião. Cabe-me a mim fazer a coordenação.

No LUME, como é feito o equilíbrio entre composição e improvisação? Interessa-lhe a chamada “composição em tempo-real”?
Bem, apesar de serem coisas distintas, existe uma relação de continuidade e permeabilidade entre improvisação e composição. Na realidade, nada se pode fixar no tempo em termos absolutos e a fruição pura de um suposto momento é uma ilusão. Nesta questão, interessa-me não ver as coisas a preto e branco e encontrar zonas de intersecção entre improvisação e composição segundo diferentes perspectivas. Deste modo, nuances de improvisação podem servir intuitos estritamente compositivos (por exemplo, segmentos de contraponto aleatório) como determinadas indicações (por exemplo, notação gráfica) servir o favorecimento de uma maior momentaneidade. Mas, concretamente, esta relação é feita, no LUME, a diferentes níveis, numa lógica de exploração de diversas possibilidades que essa relação oferece, quer sejam em contextos mais solísticos ou mais de conjunto.

E o swing… é um vector central? Como se posiciona na recorrente questão improvisação vs. swing, que tanta tinta tem feito correr?Não é um vector central. Sinceramente, acho que essa polémica não tem interesse.

Há planos para o disco de estreia do LUME? Se sim, tem ideia de como será?Estamos a pensar gravar no Verão. Ainda não sei bem, mas passará por uma selecção do reportório que temos tocado até agora com algum material novo, eventualmente.

O Marco Barroso toca piano desde os 8 anos. O que guarda desse primeiro contacto com o instrumento? Foi a primeira escolha?
Foi a primeira escolha e lembro-me da primeira vez. Lancei os dedos ao piano e toquei de forma aleatória massas e texturas com alguma truculência (coisa que ainda hoje faço). O primeiro contacto com tudo aquilo de que se venha a gostar muito tem sempre o encanto e o êxtase da descoberta, depois pode-se instalar uma certa relação de amor-ódio…e, claro, há o aborrecimento do estudo. Mas, quase desde o início, percebi que o piano era para mim, essencialmente, um meio para explorar e compor, não para interpretar.

Li que ouviu de todo na sua juventude, o que contribui sempre para alargar horizontes…Ouvir de tudo não é necessariamente bom. Vivemos num supermercado cultural onde muitas vezes a relação com o que nos é veiculado é bastante superficial. É preferível consumir menos mas com mais profundidade. Em todo o caso, ouvir de tudo um pouco ajuda a desenvolver melhor noções de perspectiva e enquadramento.

Quais as suas principais referências? É influenciado por outras formas de arte?Não gosto muito de falar sobre isso. Reflectir demasiado sobre questões de influência pode levar a uma certa castração (não vejo, em todo o caso, como algo de angustiante). Objectivamente, há muita coisa de que gosto que não se reflecte naquilo que faço e é curioso ver associações por parte de outra pessoa que eu próprio não vislumbrei. Mas, sucintamente, no caso da música, o leque das minhas referências, explana-se por diferentes universos que passam pelo rock, jazz, música clássica e contemporânea. De forma simples, posso dizer que tenho uma grande paixão pelo rock, muita curiosidade pelo jazz e um interesse pela música contemporânea que envolve estudo mais formal da técnica e da análise. Tal não quer dizer que não me deleite a ouvir os estudos de Ligeti ou que não me ponha, por exemplo, a analisar os rifes dos Soundgarden. São referências importantes para mim compositores ou grupos como Frank Zappa, Residents, Mr. Bungle, Tortoise, Charles Ives, Stravinsky, Ligeti e Messiaen. Do jazz, interesso-me, essencialmente pelo universo orquestral, o Free, a Improvisada e a cena Downtown, em geral. Nomes como Don Ellis, Viena Art Orchestra, Albert Ayler, Evan Parker, John Zorn, Dave Dougals ou Fred Frith, são para mim referências. Quanto a outras formas de arte, tenho ainda mais dificuldade em falar. Interesso-me por tudo um pouco, especialmente por cinema e literatura, artes que decorrem, objectivamente do tempo. No caso do cinema, há vários autores que aprecio realmente e onde descubro afinidades mas não sei dizer até que ponto são influências. Fascinam-me, em especial, realizadores como o David Lynch ou o Cronenberg. Acho-os particularmente originais e subversivos na forma como articulam o universo psicológico com o exterior e como pulverizam o que é aparentemente linear e normal, seja através da incursão onírica (Lynch) ou da manipulação grotesca e bizarra do corpo (Cronenberg). Acho que a minha música joga um pouco nessa dualidade e subversão. Na literatura, há um caso de afinidade clara. Há muitos anos, quando comecei a ler escritores como o Henry Miller, Celine, Bukowsky e alguns Beats, percebi claramente o que andava a fazer mas não tinha ainda verdadeira consciência e que tinha a ver com a recuperação de uma certa oralidade urbana para o contexto da escrita.

Considera-se então um músico de jazz, ou essa definição é algo redutora, tendo em atenção e espectro musical que traz para a sua música?Não me considero um músico de jazz. Pessoalmente, não me atribuo nenhum rótulo. Tenho afinidades com diferentes mundos mas acho que da perspectiva de um outsider. Ser um músico de jazz ou disto ou daquilo, implica a circunscrição clara numa determinada matriz ou tradição (não necessariamente no sentido de uma estilização), o que não é o meu caso.

Prosseguiu estudos na Academia de Amadores de Música e na Escola Superior de Música. Passou também pela Escola do Hot. Quem importância teve esta aprendizagem formal na sua evolução enquanto músico e compositor?
Teve a importância de estabelecer bases para o domínio da linguagem musical em sentido lato. Essa aprendizagem foi perdendo peso à medida que ia procurando exprimir-me de uma forma mais pessoal. Mas valorizo o conhecimento em geral, independentemente de ter ou não uma proveniência académica.

Quer descrever-nos o seu processo criativo? O que privilegia na sua escrita?
Não sei bem explicar. É irregular e dependente das circunstâncias. Idealmente, deverá haver um período de gestação, ligado a alguma investigação ou à simples acumulação de energias, antes de se iniciar uma nova composição. Mas, por vezes, não há tempo e tem que se compor à pressa. Por outro lado, trabalho de uma forma muito emocional. A criação envolve quase sempre a conciliação de aspectos mais instintivos com aspectos mais ligados à reflexão e formulação. No meu caso penso que há uma certa precedência de um lado mais irracional. De resto, acho que a minha abordagem é, essencialmente, formalista. Nunca senti muita necessidade de me exprimir em termos programáticos, preocupo-me mais em desenvolver as minhas ideias de um posto de vista estritamente musical (o que não quer dizer que não possa levar a cabo outras abordagens).

Escolheu, pelo menos para já, exprimir-se numa formação de médio/grande formato… Não se vê a trabalhar com formações mais reduzidas?Vejo-me trabalhar com formações mais reduzidas como com maiores. Recentemente, fiz um quarteto de saxofones que tem sido tocado por vários grupos e tenho material variado composto para outros contextos. Depende também das circunstâncias, oportunidades e da forma como as minhas necessidades forem evoluindo.

Está nos seus planos encetar, digamos assim, uma carreira “a solo”?Sim, como compositor.

Integra actualmente outros projectos?Exteriormente ao LUME, componho para projectos pontuais onde não participo como intérprete.

Como analisa o actual panorama do jazz em Portugal?
Acho que o jazz em Portugal é um fenómeno que tem crescido. Tem-se investido na educação (inclusivamente ao nível superior), sendo notório um incremento na qualidade e quantidade de jovens músicos. Por outro lado, parece-me haver uma boa dinâmica de oferta com muitos espectáculos e festivais (embora ainda não suficientemente descentralizado), alguns apostando no produto nacional como Injazz, Luxjazzsessions ou a Festa do jazz. Em geral, sente-se uma vitalidade na cena jazzística ao nível da qualidade e diversidade de propostas.

Continua a ser consumidor de música? O que houve habitualmente? Compra discos?Sim, continuo a consumir música. Alterno fases de procura de coisas novas (não necessariamente recentes) com fases de reprocessamento de coisas já ouvidas.

Se pudesse convidar um solista da cena internacional para tocar com o LUME, quem escolheria? Porquê?Bem, poderiam ser vários. Parece-me que a música do LUME permite adaptar-se a diversos contextos e personalidades solísticas. Estou a pensar em alguém como o Evan Parker , no seu riquíssimo universo de possibilidades sonoras onde o saxofone é tratado de uma forma realmente plástica e textural (quase que nos faz esquecer tratar-se de um instrumento monofónico). Por outro lado, seria interessante ver alguém com o groove do Maceo Parker a tocar no LUME…

Quais os passos seguintes do Marco Barroso e do LUME?
O próximo passo será gravar o disco do LUME, promover a banda e tocar. Sentimos que temos crescido e que a cada a concerto temos ganho novo público. Os concertos são, por isso, fundamentais para a evolução do grupo.
De resto, espero ter tempo e oportunidade para compor para outros contextos.
[Entrevista de base para a elaboração do Perfil de Marco Barroso publicado no n.º 19 (Jul/Ago) da revista Jazz.pt]

Monday, March 31, 2008

Festival InJazz 2008



CONCERTO LUME - Lisbon Underground Music Ensemble
Festival INJAZZ 2008 - DIA 11 de ABRIL

MONTEMOR-O-VELHO
Auditório da Filarmónica de Verride

Tuesday, March 11, 2008

LUME_BIG BAND


























Monday, March 10, 2008

PALMELA - 15 de Março

Friday, February 22, 2008

Quinta - 28 de Fev. - Santiago Alquimista

Thursday, February 07, 2008

www.ursession.com/lumebigband



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